Às vezes começa como uma pequena mancha escura no tornozelo, depois, um inchaço que parece comum ao fim do dia, até que um determinado momento surge uma
ferida que não cicatriza, muitas vezes normalizada pelo paciente.
E é exatamente aí que reside o problema: a úlcera venosa raramente aparece de forma abrupta; ela é, na maioria das vezes, o capítulo final de uma doença venosa que evoluiu silenciosamente ao longo dos anos.
É super importante procurar o especialista, de preferência quando surgirem os primeiros sinais, mas no momento em que feridas de difícil cicatrização aparecem, esse suporte médico torna-se imprescindível.
A seguir, você vai entender de forma clara e objetiva o que é essa condição, por que ela merece atenção especializada e como é feito o tratamento adequado.
O que é úlcera venosa?
A úlcera venosa é uma ferida crônica que surge, principalmente, na região dos tornozelos e da parte inferior das pernas, como consequência da insuficiência venosa crônica.
Ela ocorre quando as veias das pernas não conseguem retornar o sangue adequadamente ao coração. Esse mau funcionamento gera aumento da pressão dentro das veias (hipertensão venosa), inflamação persistente e alterações na pele.
Com o tempo, esses fatores comprometem a nutrição dos tecidos e favorecem o surgimento de feridas que apresentam cicatrização lenta ou inexistente. Também é conhecida como úlcera varicosa e representa a forma mais avançada da doença venosa crônica, classificada como C6 na classificação CEAP.
Qual é a incidência da úlcera venosa?
A úlcera venosa é responsável por aproximadamente 70% a 80% das úlceras crônicas de membros inferiores. Estima-se que entre 1% e 3% da população adulta desenvolverá esse tipo de ferida ao longo da vida, sendo mais comum em pessoas acima dos 60 anos.
Ela é mais frequente em pacientes com histórico de:
- Varizes
- Trombose venosa profunda prévia
- Obesidade
- Longos períodos em pé ou sentado
- Sedentarismo
- Histórico familiar de doença venosa
Além do impacto físico, a condição também gera impacto social e econômico significativo, devido à dor, afastamento do trabalho e necessidade de cuidados prolongados.
Quais são os sintomas da úlcera venosa?
Antes mesmo da ferida surgir, o paciente geralmente apresenta sinais de insuficiência venosa crônica, como:
- Sensação de peso ou cansaço nas pernas
- Inchaço (principalmente ao final do dia)
- Escurecimento da pele próximo ao tornozelo
- Coceira e descamação
- Endurecimento da pele (lipodermatoesclerose)
Quando a úlcera se instala, ela costuma apresentar:
- Ferida rasa, de bordas irregulares
- Localização mais comum na parte interna do tornozelo
- Presença de secreção
- Dor variável (nem sempre intensa)
- Dificuldade de cicatrização
É importante destacar que nem toda ferida na perna é causada por diabetes. A avaliação especializada é fundamental para identificar corretamente a origem.
Por que a úlcera venosa não deve ser negligenciada?
Ignorar uma úlcera venosa pode levar a complicações importantes. Por se tratar de uma ferida crônica, ela pode permanecer aberta por meses ou anos quando não tratada adequadamente.
As principais consequências da negligência incluem:
- Infecções recorrentes
- Aumento progressivo da lesão
- Dor crônica
- Limitação funcional
- Recidivas frequentes
Além disso, tratar apenas a ferida sem corrigir a causa (a insuficiência venosa) costuma resultar em cicatrizações temporárias, seguidas de nova abertura da lesão.
Ou seja: a abordagem correta precisa ir muito além de pomadas e curativos simples.
Como o diagnóstico da úlcera venosa é feito?
O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico detalhado realizado pelo cirurgião vascular.
Além disso, é super importante a realização do Eco Doppler venoso que irá confirmar o diagnóstico e identificar a extensão do problema, uma vez que com esse método diagnóstico conseguimos:
- Presença de refluxo venoso
- Funcionamento das válvulas das veias
- Existência de obstruções
- Sequelas de trombose
O Doppler permite identificar a causa exata da hipertensão venosa e direcionar o tratamento de forma precisa. Além disso, em alguns casos, outros exames complementares podem ser solicitados para descartar outras causas de úlceras, como doenças arteriais ou condições inflamatórias.
Quais são as opções de tratamento para úlcera venosa?
O tratamento da úlcera venosa precisa atuar em duas frentes complementares e inseparáveis:
primeiro, promover a cicatrização adequada da ferida; segundo, corrigir a causa do problema, que é a insuficiência venosa, uma vez que tratar apenas a lesão visível, sem abordar o refluxo venoso, costuma levar a recidivas.
1. Como é feita a cicatrização da ferida?
Essa etapa tem como objetivo controlar a inflamação, prevenir infecção e estimular o fechamento progressivo da lesão, confira as opções terapêuticas nesse sentido:
Terapia compressiva (base do tratamento)
A compressão por meio de meias elásticas ou bandagens específicas reduz a hipertensão venosa, melhora o retorno sanguíneo e cria um ambiente favorável à cicatrização. Sem compressão adequada, a taxa de sucesso diminui significativamente.
Curativos especializados
São escolhidos de acordo com a fase da ferida (presença de secreção, tecido desvitalizado ou granulação). O objetivo é manter equilíbrio da umidade, proteger contra contaminação e acelerar a regeneração tecidual.
Controle de infecção, quando necessário
Em casos com sinais clínicos de infecção, pode ser necessário uso de antibióticos, sempre sob avaliação médica.
Cuidados clínicos complementares
Elevação dos membros inferiores, estímulo à mobilidade e controle de doenças associadas (como obesidade e sedentarismo) contribuem diretamente para o processo de cicatrização.
2. Como é feita a correção da causa venosa?
Mesmo que a ferida cicatrize, ela pode voltar se o refluxo venoso não for tratado. Por isso, após avaliação com Eco-Doppler venoso, define-se a melhor estratégia para corrigir a insuficiência venosa. As opções incluem:
Escleroterapia
Indicada em casos selecionados, promove o fechamento de veias doentes por meio de substância esclerosante.
Laser endovenoso ou radiofrequência
Técnicas minimamente invasivas que tratam o refluxo das veias safenas por meio de energia térmica aplicada dentro do vaso.
Cirurgia convencional de varizes
Indicada quando há comprometimento venoso mais extenso ou anatomia específica.
Ao corrigir a causa da hipertensão venosa, reduz-se drasticamente o risco de recorrência da úlcera e melhora-se a qualidade de vida do paciente.
Quando procurar um cirurgião vascular?
A avaliação com um cirurgião vascular deve ser considerada sempre que houver uma ferida na perna que não apresenta sinais de cicatrização após cerca de duas semanas, especialmente quando localizada na região do tornozelo.
O escurecimento progressivo da pele nessa área, endurecimento cutâneo ou inchaço persistente também são sinais de alerta importantes, lembrando que pacientes com histórico de varizes associado a alterações na pele ou surgimento de lesões devem buscar avaliação especializada, assim como aqueles que já tiveram episódios de trombose venosa profunda.
Quanto mais precoce for a investigação e o início do tratamento, maiores são as chances de cicatrização adequada e menores os riscos de complicações e recorrência.
Onde tratar úlcera venosa em Guarapuava?
A úlcera venosa é uma condição crônica, mas tratável, quando corretamente diagnosticada e acompanhada por especialista: o manejo adequado da insuficiência venosa, associado à terapia compressiva e cuidados específicos com a ferida, é essencial para cicatrização duradoura e prevenção de recorrências.
Sou cirurgião vascular com sólida formação médica e ampla experiência no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com insuficiência venosa crônica. Para mais infomações ou agendar sua consulta entre em contato através do WhatsApp ao lado.